Estudos

Perto do reveillon fui à casa dos meus pais e fiquei fuçando com a câmera digital do meu pai. Engraçado esse tempo de hoje, onde a facilidade de produção de vídeos é extrema. Se sites como Youtube proliferaram na internet exatamente pela possibilidade de exibição imediata e intercontinental de filmes caseiros, sobre qualquer assunto, com qualquer duração e com qualquer tipo de apuro técnico, é interessante analisar também como as próximas gerações terão uma relação completamente diferente com a imagem audiovisual.

Os filmes caseiros da geração Super 8 trouxeram a possibilidade de filmagem a pessoas físicas, por assim dizer; o VHS permitiu a virtualmente qualquer um filmar qualquer momento; nesse ponto, portanto, nada de diferente na era digital. A grande revolução do vídeo caseiro do nosso tempo está na forma de exibição. Enquanto em gerações anteriores os filmes eram guardados em gavetas e apenas exibidos para visitantes curiosos (ou não!) com a intimidade da família (ou mesmo o mero registro de acontecimentos de ultra-importância), nós já podemos exibir mundialmente nossas estripulias mais privadas (para as ainda mais privadas vale a visita ao pornotube.com). Essa inusitada possibilidade de exibição ilimitada permite a construção de um imaginário coletivo interessantíssimo. Vale uma prolongada visita ao YouTube e seus inúmeros vídeos caseiros de crianças, gatos, cachorros, tios e tias, churrascos, etc. Não há mais limites para a exibição (o mais engraçado disso tudo é que muitas vezes não se tem a menor noção de exibicionismo arraigado).

Toda essa idéia vai aos poucos gerando uma nova idéia de televisão, de comunicação, de programação, distribuição. Confuso viver nesses tempos.

Mas nem queria falar disso. O especial do pré-reveillon foi que, com câmera na mão, fiz algo que nunca tinha feito: filmei aleatoriamente coisas que achava interessantes, bonitas (ou não) com o simples intuito de criar imagens, estudá-las, saturá-las na cabeça pra, depois de olhar tanto o óbvio (aquilo que a gente faz assim, com um primeiro olhar) saber exatamente o que poder extrair dali, ou o que descartar. Esse tipo de estudo de linguagem cinematográfica, creio, ainda irá se provar importantíssimo pra mim. Na verdade, já está nesse caminho. Meu roteiro mais recente acabou utilizando imagens criadas nesses esboços.

Os filmes “improvisistas” que fiz junto com amigos (“os memorialistas” e “Praiano”), levam muito dessa idéia: a criação imediata de imagens com o intuito simples de saturá-las, de servir como momento e objeto de estudo. Lá é diferente, claro. Na montagem havia uma idéia de criação de discurso, de encadeamento lógico (?) das imagens. Aqui não.

Ficam aqui então os 4 estudos que coloquei no YouTube, caseiros todos eles, bem típicos da linguagem contemporânea (hahaha).

~ por Fernando Secco em 29 Janeiro, 2008.

Deixe uma resposta